GOLD
- Consenso mundial de DPOC
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o National
Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI), dos Estados Unidos, preocupados
com a morbidade e mortalidade de pessoas com doença pulmonar
obstrutiva crônica (DPOC) no mundo, decidiram criar um grupo
executivo para elaborar um documento que pudesse servir de guia
para prevenção, acompanhamento e tratamento dos pacientes
com DPOC.
Hoje, a DPOC é um problema de saúde pública.
É esperado que em 2020 a DPOC esteja em 5º lugar na
classificação que leva em consideração
a soma de anos perdidos de vida com os anos de vida vividos com
incapacidade. Para se ter uma idéia, em 1990 ela estava classificada
em 12º lugar.
Este grupo executivo decidiu chamar este documento de Global Initiative
For Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD), "Estratégia
Global para o Diagnóstico, Conduta, e Prevenção
da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica" e, após
terem editado o documento básico, ele foi apresentado em
Madrid, no Congresso da European Respiratory Society, em outubro
de 1999, e em Toronto, em maio deste ano, no Congresso da American
Thoracic Society. Em ambas as ocasiões foram escutadas as
observações da audiência e em junho foi enviada
uma cópia para a apreciação das outras sociedades
de doenças respiratórias de grande destaque mundial
(Associação Latino-americana de Tórax - ALAT,
Asian Pacific Society of Respirology e International Union for Lung
and Tuberculosis Disease). Assim, este documento alcança
o seu objetivo: ser um guia com consulta e aprovação
mundiais.
Este documento está dividido em 5 capítulos:
Definição
Aspectos epidemiológicos
Fatores de risco
Patogênese, patologia e fisiopatalogia
Condução
Para sermos extremamente práticos e concisos, nesse boletim,
vamos fazer nossas considerações sobre os tópicos
1 e 5.
A definição adotada pelo GOLD varia ligeiramente
das atuais, tendo sido retiradas as palavras "bronquite crônica"
e "enfisema" do seu texto: "DPOC é uma doença
caracterizada por limitação do fluxo aéreo
que não é totalmente reversível. A limitação
ao fluxo aéreo é geralmente progressiva e está
associada à uma resposta inflamatória anormal dos
pulmões à gases e partículas nocivas."
A limitação do fluxo aéreo é definida
com base na espirometria, visto que este é o teste mais utilizado
de avaliação da função pulmonar.
Embora o termo bronquite crônica seja útil do ponto
de vista clínico e epidemiológico, ele não
expressa a importância maior da limitação do
fluxo aéreo na morbidade e na mortalidade da DPOC. Já
o termo enfisema, que é definido em bases patológicas,
e freqüentemente utilizado de maneira errada na prática
clínica, representa apenas parte das alterações
estruturais observadas na DPOC.
Operacionalmente, o diagnóstico de DPOC é feito com
base nos sintomas, os quais podem incluir aqueles devido à
irritação das vias aéreas (tosse e produção
de secreção) e aqueles que refletem a alteração
da mecânica pulmonar (falta de ar, chiado).
A tosse e a secreção pulmonar geralmente antecedem
o desenvolvimento da limitação ao fluxo aéreo
em muitos anos, embora nem todos os indivíduos com tosse
e secreção desenvolvam DPOC. A ocorrência deste
intervalo de tempo entre o aparecimento dos sintomas e o aparecimento
das alterações funcionais, quando a doença
passa a se tornar um problema real de saúde, oferece aos
médicos uma oportunidade única em termos de intervenção
precoce.
Com relação à condução da DPOC
o documento considera quatro áreas:
monitoramento e determinação da incapacidade da doença;
redução dos fatores de risco; conduta na DPOC estável;
conduta nas exacerbações.
Monitoramento e determinação
da incapacidade da doença
Cinco são os pontos chaves aqui apresentados:
o diagnóstico de DPOC é baseado na presença
de sintomas, na história de exposição a fatores
de risco e na presença de limitação ao fluxo
aéreo que não é totalmente reversível;
pacientes que tenham tosse crônica e produção
de escarro, com história de exposição a fatores
de risco, devem ter o fluxo aéreo testado, mesmo que não
apresentem dispnéia;
para o diagnóstico e avaliação da DPOC, a
espirometria é o padrão ouro, uma vez que ela é
padronizada, reprodutível e objetiva;
os profissionais de saúde envolvidos no diagnóstico
e conduta de pacientes com DPOC devem ter acesso fácil à
espirometria;
a gasometria arterial deve ser considerada em todos os pacientes
com VEF1 menor que 30% do previsto ou com sinais clínicos
sugestivos de insuficiência respiratória ou insuficiência
cardíaca direita.
A espirometria deverá sempre contar com um teste de resposta
ao broncodilatador e mesmo aqueles que não respondem (aumento
de 200 ml e 12% do VEF1 basal) poderão se beneficiar com
tratamento broncodilatador a longo prazo.
Com base nos sintomas e espirometria foi apresentado o seguinte
estadiamento:
GOLD - CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A GRAVIDADE |